Pular?

   Já parou pra pensar em como relacionar-se com alguém é tão simples quanto a um pulo? Um pulo de olhos fechados, mas mesmo assim, um pulo.
 Eu confesso que já dei alguns, poucos, mas que me causaram grande estrago. Eu fechei os olhos e me joguei. Não porque eu queria me jogar, mas porque eu queria saber o que tinha embaixo e que talvez houvesse alguém ali pra me segurar. O que mostra como eu era uma pessoa extremamente dependente. Quem é imbecil o suficiente pra pular na confiança de que outra pessoa vai estar ali pra segurar? Quem pula de olhos fechados e acredita que, melhor, vai ter alguém? Aparentemente, eu. Ou melhor, o meu velho eu. Mas não vou me julgar, então, não me julgue também, tem erros que só cometendo mesmo pra entender o tamanho da burrice.

 Foi nesses pulos desenfreados buscando ser amada e me moldando pra ter o amor do outro, que eu criei algumas feridas que nem sei se vão cicatrizar um dia. Eu cai de cara, talvez tenha quebrado um braço, perfurado um rim... Mas tudo bem, eu achava que era assim mesmo, que o amor fazia o coração bater e eu automaticamente apanharia, sabe? E aí eu levantava, sorria e seguia em frente. Só que nem mesmo o meu velho eu, cego de amor, conseguia continuar mais.

Cansei.
O que eu sei é que depois disso, na minha cabeça amor vinha acompanhado de um NÃO em letras garrafais, em negrito e com vários pontos de exclamação que era pra eu não cair nessa outra vez.
Só que tem coisas que fazem parte do que a gente é, e mesmo cansada, no fundo, eu não tinha desacreditado completamente. Fiquei com um pé atrás, ou melhor, os dois. Mas fiquei ali.

Aí me apareceu você.
Apareceu.
Literalmente, do nada.

Você surgiu da forma mais engraçada e jogada ao acaso que a vida podia me dar.
Inclusive, eu nunca te disse, mas você foi o meu acaso mais bonito.

 Por mais que eu estivesse cansada, eu culpava o mundo pelas minhas feridas e nem se quer tinha reparado que, bom, talvez eu tivesse uma parcela de culpa. Eu tinha. Eu tenho. Afinal de contas, pra alguém te machucar, você precisa deixar com que ela te machuque. Percebendo esse pequeno (GRANDE) detalhe, eu passei a perceber que eu sempre procurei encontrar algo nas pessoas o que eu achava não ter. Essa busca incessante me deixava frustrada. Esses pulos malucos eram em grande parte culpa minha.

 Mas com você não foi assim.
Eu não procurei nada e achei a melhor coisa que eu poderia: segurança em ser eu mesma. Segurança em saber que você não quer de mim nada além do que eu sou. De que o que eu sou é algo lindo por mais cheio de defeitos que eu seja e que isso pode encantar alguém. Você faz com que eu me goste, não que eu me goste porque você me gosta. Você faz com que eu seja uma pessoa especial pra mim mesma e não pra você. Meus devaneios mentais não te incomodam, você sorri e compartilha deles comigo como se fossem seus, porque eles também são. Não existe julgamento, existe compartilhamento. Você me deu a segurança de que eu me basto, e por eu me bastar, você quer estar comigo, se bastando também.

Outro pulo. Só que dessa vez, é diferente.
Você se jogou por você. Eu me joguei por mim.

 Não é mais um pulo solitário. É acompanhado. É um pulo em busca do que somos.

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